Até Breve e Pelo Não
Tudo na vida tem um fim. Os meses passaram, trabalho, muito trabalho...
Filho robusto e saudável, mulher linda... E hoje tive uma noticia muito boa! Vou ser pai uma vez mais:). Com este blog, pretendi dar a conhecer o meu lado mais banal, com linguagem simples, sem contornos e ornamentos científicos. Espero ter ajudado a moldar mais a opinião sobre os médicos, dos visitantes qu,e me visitaram durante este tempo. A todos desejo um Bem-Haja! Do fundo do coração!
O meu último post será sobre o referendo que ai virá. Não entrarei em guerras e troca de argumentos, como uma vez já fiz num outro blog. Darei somente a minha opinião, enquanto pessoa consciente, que pensa por si, e enquanto médico.
Não é o facto de ser católico que me tolda a opinião, como alguns apoiantes do Sim o fazem crer, atacando a Igreja de modo a conseguir alguns votos entre pessoas mais distraídas.
Em 1998, discutia-se fundamentalmente quando a vida começava. Com o avanço da ciência, hoje é mais do que claro que a vida inicia-se com a concepção. Mas falando mais sobre o que é um feto(bebé), o seu coração,formado desde os 20 dias, bate em média 175 ppm. Um de um adulto bate normalmente entre os 60 e os 90. Começa por ser parecido com um tubo, que se vai dobrando sobre si mesmo, sendo já (praticamente) igual em tudo, em relação ao de um crescido.Bate de forma autónoma em relação ao coração da mãe.
Portanto com 20 dias, cerca de 2 semanas e meia, antes de a mulher se aperceber que está grávida, um coração bate dentro dela. A ciência comprova isto, ponto.
A lei actual:
Pode abortar-se em caso de:
malformação do feto, violação, perigo de vida da mãe e até factores psíquicos o permitem.
A única pergunta que é feita, é a mulher poder abortar (matar a vida humana dentro de si) até as 10 semanas simplesmente porque sim.
Variadíssimos estudos, devidamente apresentados ao longo destas semanas nos órgãos de comunicação social mostram claramente que Países nos quais o aborto é permitido por opção da mulher o aborto clandestino NUNCA DESAPARECEU, e não diminuindo como os apoiantes do SIM o fazem crer.
A mulher queixa-se que normalmente está sozinha, que o homem não a acompanha. Se isto infelizmente hoje em dia é verdade, então se esta lei passar o homem não terá NENHUM PODER DE DECISÃO, ele pode garantir que apoia a mãe durante a gravidez, que assume a paternidade, que fica com a criança, mas nenhum tribunal poderá fazer algo sobre isto. É a mulher que decide. Hoje as mulheres estão sós? Então se a lei passar cairá todo o peso do mundo sobre a mulher. O que foi gerado por duas pessoas, torna-se dono de apenas uma, sendo a outra parte marginalizada.
Quem estende a mão a mulher que aborta depois? Nunca será os apoiantes do BE, do PS ou do PCP, que tanto brandam aos céus pelo SIM. O que dirão será somente "não fizeste nada de mal".
Tenho ouvido barbaridades e ,mentiras na televisão sobre estudos que comprovam que as mulheres que abortam não sofrem efeitos secundários, como uma ex-deputada anda a dizer.
Eu , no exercício da minha profissão, lido diariamente com MULHERES que abortaram, e em TODAS, repito em TODAS ficam marcas profundas. Existem muitos sintomas associados, depressões, falta de apetite, perda de interesse sexual, e a maior parte das que abortaram (tendo já filhos) passaram a sentir-se uma má mãe, chegando a pensar em casos extremos no suicídio. E o pior não é isto. Uma mulher que aborta nunca esquece. Não falo no não-esquecimento referente ao ter abortado no dia 2 do 3 de 2005. Falo na época. Falo no que muitas me dizem... Que "se ele tivesse nascido teria dois anos... Teria a cor dos meus olhos? Ou seria uma ela?... Seria médica? Seria professor?..."
Ouvir uma mãe dizer isto, chorando custa... E porque TODAS elas disseram que se o Estado as ajudasse, se a família as apoiasse , NUNCA optariam pelo aborto!
Muitos dizem, "e as meninas de 12 anos?", a larga maioria dos abortos provocados situa-se na faixa etária dos 25 aos 35 anos. Já não são assim tão inocentes como uma criança, cuja LEI actual protege e permite o aborto.
Com todos os contraceptivos, toda a informação que existe hoje, 90% das mulheres engravidam por descuido. Se somos todos crescidos para ter uma relação sexual, também o devemos ser para acatar com as responsabilidades que dai se originam. E o que se origina é uma vida humana, com plenos direitos de viver. Só porque não se vê, não quer dizer que não existe.
A questão em causa não é a despenalização da pena de prisão, é a TOTAL Liberalização do aborto. Uma mulher que aborta não é presa, nem devia ser*(e sendo levada a tribunal o homem também devia lá estar)...
é a mesma coisa, uma mãe que rouba para dar de comer ao seu filho, será levada a tribunal, mas nenhum juiz a condenará. Nem vamos todos para a luta para a liberalização do roubo com ajuda da polícia.
Em vez de andarmos indignados, (e com razão) com o Estado por não dar subsídios e incentivos para que as mulheres possam ter os seus bebés com toda a dignidade e conforto, opta-se pelo mais fácil . O peso do aborto cairá totalmente sobre a mulher.
Um aborto custará entre 350 a 600 euros. Precisamente o preço de vacinas que protegem a mulher contra o grande flagelo do cancro do colo do útero. O Estado já disse Não existir dinheiro para comparticipar. Tire-se daqui as conclusões.
Infelizmente enquanto médico, constato que no ramo da saúde onde se puder fazer dinheiro, não se olhará a mais nada. A maior parte dos médicos com quem trabalho são todos pelo não, fruto de saber-se que se trata de uma vida humana. Matar uma vida saudável não existindo razão médica, apenas porque SIM, é uma coisa que Eu e grande parte dos meus colegas enquanto médicos não o compreendem e não o toleram. Mas se não forem os médicos portugueses a realizar os abortos a pedido, caso a lei passe, virão médicos espanhóis, holandeses,etc para o fazer. haverá sempre quem lucre.
Se a pergunta fosse" Concorda que uma mulher que aborte não deva ser presa?" Concordo.
*Concorda que uma mulher que aborte com 28 semanas(sim existem casos!) deva ser presa?
Absolutamente que sim! Existem bebés prematuros que com esse tempo de vida vivem por si! Se se aborta nesse tempo, mais vale esperar que ele saia cá para fora e matá-lo. É o mesmo.
Concorda com o aborto a pedido da mulher sem qualquer razão de maior peso até às 10 semanas, Nunca.
Se o Não ganhar, não se pode ficar assim. É preciso criar condições de apoio a mulher que engravidou sem planear. Como a Alemanha, com um generoso subsidio de 25 mil euros. Não existe melhor investimento do que o que é feito em capital humano.
Por todas estas razões Voto NÃO, com toda a força que possuo. Em nome dos meus dois filhos. Em nome de milhões de bebés aspirados, cortados, deitados fora como um tumor. Em nome da maternidade da Mulher. Do seu direito a ser Mãe, com todos os apoios necessários.
Para terminar, acho absolutamente triste, quem afirme, "O que? Entregar o meu filho a uma instituição, ou a alguém? Prefiro abortar!". Isto é pura e simplesmente egoísmo. Se alguém está disposto a amar essa criança, a ficar com ela e tratá-la, abortar por esta razão é egoísmo cego e puro.
Volto a dizer, esta é a minha opinião enquanto pessoa capaz de pensar por si, enquanto profissional que lida diariamente com estes casos.
PS: parabéns a ti, prof. Teresa, pelo teu bebé. Que tenha muita saúde, e que sejas feliz!
PS2: Para ver
